segunda-feira, 21 de abril de 2008

Demarcou Geral

[Eu sei que o texto é polêmico, e tendencioso. Postei no meu blog pessoal, mas achei cabível expressar minha opinião por aqui também. Sintam-se à vontade pra comentar.]




A gente acompanha todas as notícias nacionais sobre a operação que prevê a desocupação dos não-índios na área Raposa Serra do Sol, e observa o quanto é superficial a cobertura das grandes emissoras de TV em relação ao assunto.

Pra falar a verdade, é difícil fazer com que alguém que não more neste Estado, entenda o que se passa por trás dessa lambança, que chamam de demarcação em área contínua.Homologada em 2005 foi uma das primeiras grandes burrices do presidente Lula, bem pior que a compra da aeronave presidencial, pois colocou em desuso quase 50% das terras produtivas de Roraima. Digo desuso porque sei que não serão aproveitadas. Não por nós cidadãos, ou pelos trabalhadores que hoje ocupam aquele espaço fazendo algo pelo Estado. Sei disso porque estou por dentro das condições da reserva de São Marcos, demarcada há um tempo, e hoje completamente abandonada.

É intrínseco do índio não plantar, não colher, não produzir. Muito menos os índios destas bandas, que usam Nike Shox de Lethem e consomem bebidas alcoólicas, com sua cultura completamente adulterada. Quem vai se aproveitar de nossas terras são as Ongs, os estrangeiros, e a espertinha igreja – que onde se tem lucro, lá está ela. Tirar as riquezas minerais, a flora, e destruir as espécies. E afundar o Estado numa improdutividade absurda. Vão tirar da gente, o pouco que temos. E a conseqüência dessa decisão que levou anos para ser concluída (a demarcação), é o trivial: É que vimos destes o tempo de território - indígenas deixando o campo, e vindo para a capital, subsistir na marginalidade.

Pra mim, o pior dos argumentos para justificar a demarcação das terras para tão pouca gente, é a expressão “Divida social”. Se for assim, sejamos justos, meu presidente. Vamos distribuir terras também aos descendentes de escravos, que tiveram sua liberdade privada, e que convivem com o preconceito nos dias atuais. Vamos devolver a economia dos nordestinos, que suaram pra conseguir um dinheirinho e ir pra grandes capitais, os candangos que construíram Brasília, e aqueles que morreram na miséria esperando “falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer”.

Vamos devolver a dignidade daqueles que foram violentados na ditadura militar, que perderam familiares e que guardam os pesadelos desta época macabra. Vamos indenizar as crianças, que perderam seus pais com uma bala perdida, ou aquelas que desde cedo foram iniciadas na violência, na prostituição. Que perderam a pureza dos brandos anos de infância.

Vamos lá, Brasil, abram suas portas, deixem os sem-teto entrarem. É hora de igualdade. Vamos entregar nosso país de bandeja pros gringos. E façamos com sugeriu Raul: cobremos aluguel. Vamos discordar da transposição do rio São Francisco, fazer greve de fome e ver o povo morrendo afogado no interior da Paraíba. Vamos leiloar as roupas do Abadia, e dar esse dinheiro pro Comando Vermelho ou PCC, pra que o nosso exército do tráfico seja mais poderoso que o Colombiano; vamos parar de estudar, se candidatar a presidência e morrermos cegos e afogados numa burrice e hipocrisia descomunal, e gritar orgulhosos que “somos brasileiros e não desistimos nunca”.

3 comentários:

Oscar disse...

Engraçado que em outras democrácias este tipo de problema é discutido e resolvido pela população e os poderes só existem para tornar o resultado do debate legal.
Quais foram os roraimenses que forma ouvidos na hora de demarcar mesmo? Acho que nenhum que more no Estado.

Anônimo disse...

como diria a brescia:
palmas, palmas, e palmas! até sangrarem minhas mãos!

texto sensacional, brunildes.

;*

pcapuleto disse...

Essa menina só me enche de orgulho, quando não me dá tristeza... hauhauhauua!!! É por essas e outras que eu insisto: Bruna - O jornalismo que nós merecemos!